Saindo Do Sério.

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Definitivamente, tem dia que por mais que tenhamos o firme propósito de manter a cabeça fria distante dos atropelos que por ventura cruzem o nosso caminho, não dá!

                        Minha estrutura foi “mexida” de forma tão intensa, agora parece hilário, mas cheguei  a pensar o dia todo que hoje era sábado!

                        Por que sábado? Provavelmente era a vontade de que aquele momento se  evaporasse levando com ele toda chateação .

                        Sempre uso  cartões de crédito nas compras e para cada tipo de transação um determinado . Observei por duas vezes que o reservado para compras no Supermercado e combustível estava dando erro. Isto aconteceu no mês de Julho. Deixei de usar  e quando tivesse tempo iria verificar o fato.

                        Somente em 10 de setembro tomei as providências. Fui informada

Que por questão de segurança meu cartão havia sido bloqueado e havia sido providenciada a sua substituição. O motivo não sei até agora.

                        Como uso este cartão desde 1985, com o nome de solteira, já que

Iria ser trocado com a minha participação, solicitei que fosse feita a alteração cadastral. Segui à risca a orientação que foi dada e fui informada que após dez dias

Receberia um novo cartão no meu endereço.

                        Chegou! Sem as alterações solicitadas. O drama foi fazer por telefone o desbloqueio do mesmo. Como não consegui, após inúteis tentativas, resolvi ir  à rede de Supermercado e fazê-lo com as atendentes.Como a fila era grande , dirigi-me ao auto-atendimento.

                         Quando consegui falar com alguém do outro lado da linha , em pleno desenrolar da questão, uma senhorita resolveu , sem sequer pedir licença , passar o cartão de outras pessoas que estavam atrás de mim , tendo sido informado a mim que a ligação estava interrompida.Claro! a senhorita em questão funcionária do estabelecimento , grosseiramente disse que não tinha nada a ver  pois os dois atendimentos poderiam ser feitos simultaneamente,pode até ser, mas não foi o que aconteceu naquele instante, praticamente diante da minha alegação do que aconteceu e da insistência da mesma em me desmentir , eu  “saí de sério”e desmontei, literalmente.

                        A esta altura o estrago estava feito, não permiti que ela usasse o terminal até que eu terminasse o meu atendimento e abri um protocolo denunciando  a ocorrência. Se eu estava tendo um dia ruim o dela foi pior.

                        O lado positivo é que as pessoas que estavam na fila me apoiaram

E observaram que a tal senhorita passou a tratar todos com outra atenção.

                         Não sei se ficou assustada com o desenrolar dos acontecimentos ou se compreendeu que pisou na bola duas vezes: desrespeito a uma pessoa de mais idade e grosseria com um cliente antigo que era um partícipe das comemorações de

Aniversário da tal rede de Supermercado.

                         Perdi meu dia e fiquei chateada, pois não gostei de ter revidado, mas

Uma coisa é certa, ficar o tempo todo colocando panos quentes para evitar desgastes, não está  contribuindo em nada para que as pessoas investidas nas suas funções passem a exercê-las com respeito aos limites impostos.

                         Só espero que a senhorita petulante tenha tirado alguma lição disto tudo.

 

Escrito por Maria Claudete

                        

 

Uma Carta Para Mim

 

        

 

                       Camaragibe, 20 de setembro de 2009.

 

                                                 Cara Claudete:

 

                                                 Você morava na Zona Rural, onde naquela época não havia Professoras Diplomadas. Sua mãe, Professora Leiga, uma mulher adiante do

seu tempo, não só Instruiu os seus filhos como todos aqueles que pensavam em aprender a ler e escrever.

                                                 Aos 10 anos, vencendo a distância e a falta de transporte

Você tinha que deslocar-se diariamente, até  a cidade mais próxima para complementar

Os seus estudos . Era oferecido na Escola Normal  mantida pelas freiras  do Colégio Sta.Terezinha a formação do Magistério, sendo exigida a idade mínima de 13 anos para ter acesso ao mesmo.

.

                                                A primeira decepção , que trouxe-lhe amargura  e poderia ter causado um trauma irreversível  , veio do Professor de Matemática , que não via naquela menina franzina e inexpressiva condições de ser aceita no conceituado Curso, principalmente considerando-se sua pouca idade e havia também um misto de preconceito por sua origem humilde.

                                                Diante de uma classe repleta de alunos  você foi chamada pelo Professor para realizar uma divisão matemática no Quadro-Negro. Este lhe pareceu

Imenso e a conta a ser feita maior ainda : não se sabia quem era maior, se o dividendo ou o divisor. Foi o fim para você, chorou e nada fez. Naquele momento não se sentiu injustiçada , apenas arrasada. O que diria para sua mãe que a preparou para aquele exame de admissão? O que dizer aos seus amigos que tinham grande admiração por você e seu Boletim todo com média 10?

                                                Você encarou o Colégio ,mesmo porque havia feito jus a uma bolsa do Patronato, onde após as aulas ficaria ajudando  no Refeitório  e  na Cela auxiliando as Irmãs . Sua mãe deu-lhe  a força necessária e mostrou  o que poderia

advir por aceitar com humildade as adversidades. Mas seu  coração , de início empedernido,  não compreendia.

                                                  Seguindo seus conselhos , foi a cada dia uma aluna exemplar ,  destacando-se em todas as matérias , menos Matemática...O estrago havia sido feito para sempre...


                                                   Mesmo assim conseguiu a   láurea máxima , ao término do Curso de Magistério aos 17 anos, foi a laureada da turma e ganhou uma Cadeira-Prêmio do Estado de Pernambuco, não necessitava fazer Concurso Público para lecionar. No Colégio , as freiras lhe ensinaram a bordar, cozinhar , ler música  , desenhar, pintar , canto orfeônico . Queriam que se tornasse uma delas!

                                                  Não era sua vocação, nem mesmo quando a Madre Superiora, provavelmente querendo lhe convencer falou na sua cara: - Quem vai querer

casar com uma “barata descascada como você”.

                                                   A vida seguiu seu rumo, você migrou para cidade grande , foi bem sucedida, passou no Vestibular em primeiro lugar , foi destaque nos Grandes Jornais de circulação da época ,pelo fato inusitado de uma menina vinda do interior  com formação intelectual obtida lá , ter alcançado este feito!

                                                  Foi motivo de receber até Voto de Louvor da Câmara de Vereadores da Cidade natal.

                                                  Faltou , entretanto,a  você manifestar  gratidão a uma pessoa especial que se não fosse ela não teria tido uma trajetória tão cheia de sucessos – sua mãe- Celice Natália de Vasconcelos e Silva , sua primeira Professora e incentivadora .


                                                  ( Para você , mãe, hoje com 87 anos , esta carta que de

veria ter sido escrita há muitos anos. Manifesto meu reconhecimento  e meu orgulho

de ter herdado de você  a obstinação de perseguir um sonho  e de ser humilde antes de tudo  e o gosto imenso pela leitura que me abriu para a vida pulsátil e iluminada).

 

 

                                         Com imenso carinho e gratidão pelo que sou  ,                  

                                                              Claudete

 

 

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