Visita à Casa Paterna.

                                  Neste Natal quiz dar-me o melhor presente: voltar ao lugar onde nasci, algo dentro de mim durante todo o decorrer de 2008 me incitava a isto. Muita coisa aconteceu , mas consegui concretizar este desejo agora. Minhas impressões , o que senti, relatarei enquanto minha memória permite, sequencialmente. Afinal foi com o objetivo de fazer um resgate de mim mesma que comecei este Blog.

                                 Esta poesia foi uma das primeiras que aprendi com minha mãe, minha primeira Mestra . Sempre tive um fascínio por ela, hoje de volta ao meu mundo atual, ela bateu forte e emergiu do recôndito de mim,brotaram os versos e o reencontro foi mágico. Nada melhor como Prefácio para minhas próximas narrativas.

                                 Tomo a liberdade de dedicar a minha única irmã Tereza. Como meu pai não está mais no mundo dos vivos, foi êle com certeza que me tomou pelas mãos.

                                   

Visita à casa paterna

A minha irmã Isabel.

Como a ave que volta ao ninho antigo,
Depois de um longo e tenebroso inverno,
Eu quis também rever o lar paterno,
O meu primeiro e virginal abrigo.

Entrei. Um gênio carinhoso e amigo,
O fantasma talvez do amor materno,
Tomou-me as mãos, - olhou-me, grave e terno,
E, passo a passo, caminhou comigo.

Era esta sala... (Oh! se me lembro! e quanto!)
Em que da luz noturna à claridade,
minhas irmãs e minha mãe... O pranto

Jorrou-me em ondas... Resistir quem há de?
Uma ilusão gemia em cada canto,
Chorava em cada canto uma saudade.

Rio - 1876.

Luís Guimarães Júnior

                                        Feliz Ano Novo Para Todos Que Por Aqui Passarem!

Escrito por Maria Claudete