Fecho os olhos, janelas da minha alma.
Deixo-me, tal qual ser em eterna busca,
mergulhar na profundidade dos meus pensamentos.
Devaneios, visões alucinantes, épocas distintas.
Vejo-me agora, peregrina dos caminhos percorridos.
Vejo-me criança: sonhadora, patética criadora de castelos.
Vejo-me adolescente: muitos sonhos realizados, muitos arruinados,
posto que, segues incessante, oh Morte!
Como um rompante, minha mente se decompõe.
Fragmentos espalham-se aleatoriamente no meu tempo;
Antevejo o que na lucidez, do que chamam sensatez,
que a Morte se fez presente.
Morrer, renascer para a Vida!
Morrer, partir para a Eternidade!
Não, a Morte não é uma mera passagem.
És tu, oh Morte, passaporte da minha identidade.
Prossigo na minha viagem;
Vejo-me adulta e faço a descoberta.
Se não fora tu, Morte das causas perdidas,
Morte dos amores não correspondidos,
Morte dos sonhos impensáveis,
O que seria eu?
És tu, oh Morte, minha senha
Para a Vida.
29.04.07
Maria Claudete Ferreira Herculano Batista
Obs: Este poema faz parte do Livro de Poesia Interativo -Coração de Poeta-
que estará na Bienal do Livro de São Paulo a realizar-se em Agosto de 2008.
Comentário , estava muito fragilizada ao compor este poema, entretanto não enxerguei a Morte como um fim e sim como um recomeço na minha Vida.




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