Era uma bela tarde que prenunciava uma linda noite de São João.
Naquela época remota da minha adolescência, a empolgação já tomava conta da minha vidinha de interior e das amigas e confidentes fiéis.
Planejávamos, confabulávamos como seria a condução de todos os festejos na véspera e o que faríamos para prolongarmos os momentos vividos no dia consagrado a São João.
A rua principal do lugarejo já estava toda enfeitada com bandeirinhas e balões feitos pelos jovens e em frente de cada casa estava lá como figura de destaque a fogueira, que seria queimada pelo dono da casa, religiosamente às 18 horas.
Na sede do Clube local, além da Orquestra de Seu Filemon que ensaiava para tocar à noite, estava também Lau, o sanfoneiro, que nos brindaria com seu forró incendiador.
Quitutes da época: pamonha, canjica, pé-de-moleque,
Arroz doce, milho assado, milho cozido, maria-mole, quentão, vinho de jenipapo sarapatel também o mungunzá para ser degustado no final da noite entre tantas outras guloseimas.
A nossa preocupação era vestirmos uma bela roupa de matuta dançar a quadrilha e fazer bonito, afinal vinha gente da cidade e da Capital festejar conosco.
Claro, suspirávamos só de pensar que algum moço bonito poderia olhar para uma de nós, dançar e flertar ( era assim que se falava na época).
Tudo era muito ingênuo e puro, é certo que havia algumas exceções... porém raramente comentadas , por motivos óbvios.
Lembro que ao cair da tarde havia o casamento matuto, os noivos apropriadamente vestidos vinham numa carroça enfeitada puxada por Jumentos, seguidos pelo cortejo à pé constituído pelo vigário, testemunhas e convidados , percorrendo a rua principal até a sede do Clube local, onde seria realizado o “casório”.
Era um momento impar! Muito divertido e caloroso e com muito foguetório. Recordo, com carinho e saudade que fui “noiva” de casamento matuto.
Havia uma prevenção contra ser “noiva”, pois se dizia que se a jovem estivesse namorando e o “noivo matuto” fosse outro, o namoro acabaria. Coincidência ou não, meu namorico terminou.
Ao redor da fogueira fazíamos adivinhações e simpatias para sabermos desde quem seria nosso futuro marido até quem ficaria no “caritó”.
Tempos bons aqueles, pois trazem felizes recordações.
Aqui, no Nordeste, continuamos com as nossas tradições, os festejos juninos, mesmo mais estilizados ainda representam esta parte da nossa cultura que permanece viva.
Que venha o brasileiro de outras regiões curtir este lado de um País de dimensões continentais de cultura tão diversificada e genuína.
Viva o São João Nordestino!




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