Por uma estrada bucólica, sem asfalto, lembro bem passando pelo engenho Buranhém , em direção
Ao Colégio Santa Terezinha, em Catende-PE.Eu morava na Usina Roçadinho , zona rural .
Seria um aniversário, como outro qualquer, não fosse a data alusiva aos meus 15 anos!
Era comum às mocinhas da época, os preparativos para a grande festa de ingresso ao mundo da fantasia
Oficializada que incluía permissão para namorar e ir aos bailes.
Eu não tive festa! Não sei dizer por que, afinal meu pai exercia até uma função de relevância na Usina local, e poderia ter feito uma bela comemoração. Não lembro de ter pedido alguma coisa, a bem da verdade, não recordo que tenha sentido tristeza por isto.
Minha mãe, é uma pessoa especial, creio tenha captado certa importância daquela data para mim no futuro. Pois bem, as escondida convocou as amigas do dia-a-dia das idas e voltas para o Colégio, que na volta me acompanhassem até em casa, pois estaria preparada uma festinha surpresa.
Éramos seis, vestidas de normalistas, cansadas, empoeiradas, voltando para casa às 18 horas de uma noite fria, estrelada que se revelaria promissora.
Durante o trajeto contávamos estórias desde “comadre fulôzinha” até as fofocas dos namoricos das outras. Não se falava no meu aniversario.
Foi, realmente, uma bela surpresa, recordo tão intensamente aquela noite, que sinto até o cheiro que exalava do pudim de coco, meu preferido, feito com tanto carinho pela minha mãe. Tinha também bolo, crush, biscoitos caseiros, bombons de rapadura, maria-mole, raspa-raspa e confeitos colocados em caixinhas coloridas de papel crepom.
Como éramos felizes com tão pouco...
Recordo Dilza me empurrando para o quarto para que trocasse de roupa a fim de cortar o bolo e cantar os parabéns. Vesti o vestido branco do último Natal e me senti uma verdadeira debutante, nada me faltava.
Hoje, entendo que esta lembrança se perpetuou no fato de nunca deixar “passar em branco”o aniversário de nenhum filho, porém sempre festejado sem grandes badalações.
Hoje sou grata à minha Mãe por ter, na sua sabedoria, me mostrado que a verdadeira comemoração é a que se faz entre amigos e não com uma multidão anônima.
Confesso das minhas três filhas, apenas uma comemorou em grande estilo seus 15 anos, grande festa Temática, muitos convidados, grande Buffet, música, valsa, tudo que tem direito, até inúmeros penetras...
O que restou? Álbuns de fotografia, filmagem e pouquíssimos que ela possa chamar de amigo. O mundo mudou ou mudaram a pessoas?
Não sei... Mas com certeza, posso afirmar que não tive fotografias nos meus 15 anos, mas as amigas daquela época são fotos impressas na minha memória afetiva. A vida nos levou por caminhos distintos, mas a amizade permanece a mesma. Dilza, não me esquece, Beatriz, sou madrinha de sua primeira filha, Izailda, a mais próxima de mim, tornou-se uma bem sucedida empresária na área contábil, Célia, Advogada e muito querida, Valdete, casou-se e ficou viúva do meu melhor amigo da faculdade.
Nossa amizade não se perdeu no tempo...
Estas lembranças me mostram que valeu a pena a minha festa particular de 15 anos.
escrito por Maria Claudete





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